A NRF Retail’s Big Show deixa claro que o varejo entra em 2026 apoiado em três grandes eixos estruturais: inteligência artificial em escala, jornadas verdadeiramente unificadas e modelos de negócio cada vez mais circulares. O consumidor está mais digital, mais informado e mais atento ao impacto de suas escolhas, exigindo coerência entre discurso, preço, conveniência e propósito de marca.
De acordo com a NRF, mais de 70% dos varejistas globais afirmam que decisões em tempo real, baseadas em dados, serão determinantes para competitividade até 2026. Ao mesmo tempo, 64% dos consumidores dizem abandonar marcas que entregam experiências inconsistentes entre canais. O desafio não é apenas tecnológico, mas estratégico e humano.
1. Experiência do colaborador como pilar de performance
A experiência do cliente continua começando pela experiência do colaborador. Em 2026, porém, esse pilar passa a ser sustentado por inteligência artificial e sistemas de apoio à decisão.
Segundo a Deloitte, empresas que utilizam IA para apoiar equipes de loja registram aumento médio de 15% na produtividade e até 20% de melhoria nos índices de satisfação do cliente. Ferramentas de consulta rápida, assistentes inteligentes, treinamentos contínuos e processos mais simples dão autonomia para o time resolver demandas com agilidade e consistência.
Quando o colaborador tem acesso a dados, contexto e sistemas confiáveis, o atendimento se torna mais empático e personalizado. Esse cenário impacta diretamente conversão, ticket médio e fidelização no ponto de venda.
2. Lojas físicas como hubs de conexão e unified commerce
As lojas físicas seguem relevantes, mas com papel definitivamente transformado. Em 2026, elas funcionam como hubs de unified commerce, conectando estoque, serviços, mídia e experiência em um único ambiente.
Dados da PwC indicam que 73% dos consumidores preferem marcas que oferecem experiências integradas entre físico e digital. Além disso, varejistas com operações unificadas apresentam até 30% menos rupturas de estoque e maior eficiência logística.
A loja passa a ser espaço de experimentação, relacionamento e resolução. O cliente compra, retira, devolve, testa e continua o relacionamento sem perceber barreiras entre canais. Ambientes imersivos, comunicação clara e estímulos sensoriais bem planejados ajudam a traduzir a identidade da marca e criar memórias positivas que vão além da venda.
3. Retail Media como terceira linha de receita estruturada
O Retail Media se consolida em 2026 como uma terceira linha de receita relevante, ao lado da margem de produto e dos serviços financeiros ou de valor agregado.
Segundo a McKinsey, o mercado global de retail media deve ultrapassar US$ 140 bilhões até 2026, com crescimento anual acima de 20%. Mais de 80% dos anunciantes afirmam que dados de primeira parte são hoje mais valiosos do que cookies de terceiros.
Ao monetizar telas, aplicativos, sites, totens, rádio indoor e dados de audiência, o varejo transforma seus canais em plataformas de comunicação altamente segmentadas. Com mensuração refinada e integração omnicanal, as campanhas se tornam mais eficientes no momento da decisão de compra, beneficiando marcas, shoppers e o próprio varejista.
4. Bem-estar como critério transversal de escolha
O bem-estar deixa de ser nicho e passa a ser critério central de decisão em diversas categorias. Pesquisa da Accenture mostra que 62% dos consumidores escolhem marcas que reduzem fricções e promovem conforto físico e emocional durante a jornada.
No PDV, isso se traduz em lojas menos poluídas visualmente, iluminação equilibrada, sonorização confortável e jornadas que reduzem filas e ruídos de comunicação. Ambientes acolhedores aumentam tempo de permanência e percepção de valor, fatores diretamente ligados ao aumento de vendas.
5. Circularidade e sustentabilidade em um novo patamar
A sustentabilidade entra em 2026 em estágio mais maduro e mensurável. Segundo a NRF, 68% dos consumidores globais consideram práticas circulares um fator decisivo de compra, e 57% aceitam pagar mais por marcas transparentes em ESG.
Programas de recompra, revenda, aluguel, logística reversa e redução de desperdício passam a integrar o modelo operacional, não apenas campanhas pontuais. Além de atender exigências regulatórias, essas iniciativas reduzem custos. A McKinsey aponta que empresas com estratégias de circularidade bem estruturadas podem reduzir despesas operacionais em até 15% no médio prazo.
Como oferecer experiências personalizadas no PDV em 2026
Os insights da NRF mostram que personalização depende de integração total entre dados, tecnologia em tempo real e operação de loja. Não basta conhecer o cliente. É preciso adaptar comunicação, sortimento, serviço e mídia conforme o fluxo acontece.
Telas interativas conectadas a dados
A comunicação visual evolui para um ecossistema vivo. Telas integradas a CMS e bases de dados permitem atualização em tempo real conforme horário, clima, estoque e perfil da loja.
Estudos da RetailNext indicam que conteúdos dinâmicos podem aumentar em até 33% a taxa de engajamento no PDV e reduzir em até 25% a percepção de poluição visual.
Unified commerce como padrão operacional
O conceito de omnichannel dá lugar ao unified commerce. Segundo a IBM, varejistas com visão única de cliente e estoque registram crescimento de até 25% na taxa de recompra.
O consumidor inicia a compra no digital, finaliza na loja e mantém o relacionamento nos canais da marca com consistência de preço, benefício e linguagem. Para o varejo, isso exige integração de sistemas e quebra de silos internos.
Automação e inteligência na operação
A automação ganha força com inteligência artificial aplicada à previsão de demanda, reposição, escala de equipes e identificação de gargalos.
Dados da Accenture mostram que operações com IA embarcada conseguem reduzir rupturas em até 30% e aumentar a eficiência operacional em até 20%, liberando a equipe para um atendimento mais consultivo e relacional.
Monitoramento inteligente e eficiência sustentável
Redes de sensores e plataformas analíticas monitoram fluxo, consumo energético, ruptura de gôndola e performance de categorias. Isso reduz desperdícios, melhora planogramas e otimiza recursos naturais.
Segundo a Statista, varejistas que utilizam monitoramento inteligente reduzem consumo de energia em média 18%, reforçando a imagem sustentável da marca com impacto financeiro positivo.
O varejo de 2026 exige visão integrada
O cenário de 2026 mostra que o varejo competitivo será aquele capaz de orquestrar experiência, tecnologia, dados e sustentabilidade de forma integrada. O PDV assume o papel de ponto de conexão emocional e funcional, onde mídia, serviços, logística, analytics e storytelling se encontram para gerar valor real ao consumidor e ao negócio.
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